REVIEW - Shoe it All!
Nome do Game: Shoe it All!
Data de lançamento: 3 de setembro de 2026
Género: Puzzle / Aventura / Acção
Plataformas: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Android e iOS
Desenvolvedor: Amberbite
Estúdio/Publisher: Amberbite / Bright Gambit
Análise
Quem diria que atirar sapatos podia ser tão divertido?
Quando vi pela primeira vez a ideia de Shoe it All!, confesso que pensei: "Atirar sapatos a partir de um baloiço para resolver puzzles?"
Parece uma ideia completamente absurda.
E é mesmo.
Mas é precisamente essa simplicidade que torna o jogo tão divertido.
Em Shoe it All!, controlamos Lace, uma adolescente rebelde que não está propriamente interessada em seguir as regras que lhe são impostas.
A solução para praticamente todos os problemas?
Sapatos.
A partir de um baloiço, temos de ganhar balanço, apontar e lançar os nossos sapatos para interagir com o cenário, atingir objectos, activar mecanismos e criar reacções em cadeia.
E o mais engraçado é que a mecânica funciona muito melhor do que parece no papel.
A mecânica do baloiço é a alma do jogo
Tudo começa com o baloiço.
Pode parecer uma coisa simples, mas é aqui que está todo o desafio.
Temos de controlar o movimento, perceber o momento certo para lançar o sapato e calcular a trajectória.
Um pequeno erro pode fazer com que o sapato passe completamente ao lado do alvo.
E quando finalmente acertamos naquele lançamento perfeito, a sensação é excelente.
Não estamos simplesmente a apontar para um objecto.
Temos de perceber a física do cenário e utilizar o nosso próprio movimento para criar o lançamento.
Cada puzzle pode ter várias soluções
Uma das coisas que mais gostei em Shoe it All! é que o jogo não nos obriga a encontrar uma única solução.
Os mais de 65 puzzles foram construídos para permitir diferentes formas de chegar ao objectivo.
Podemos encontrar um caminho mais directo.
Podemos tentar um lançamento complicado.
Podemos utilizar um objecto do cenário de uma maneira que inicialmente nem sequer tínhamos pensado.
Ou podemos simplesmente experimentar até perceber o que funciona.
E é aqui que o jogo começa a mostrar alguma profundidade.
A física torna tudo imprevisível
O sistema de física é provavelmente aquilo que cria mais momentos engraçados.
Atiramos um sapato e ele pode bater num objecto, que por sua vez activa outro mecanismo, que derruba outra coisa e acaba por criar uma reacção em cadeia.
Quando tudo acontece como planeado, é muito satisfatório.
Mas também existem aqueles momentos em que fazemos um lançamento completamente errado e, por alguma razão, tudo acaba por funcionar.
E eu adoro este tipo de situações.
O jogo dá-nos ferramentas simples e deixa-nos experimentar.
Reacções em cadeia são muito satisfatórias
Há níveis em que o objectivo não é simplesmente acertar num alvo.
Temos de criar uma sequência.
Um sapato pode activar um mecanismo, que movimenta uma plataforma, que destrói um obstáculo e abre caminho para o objectivo.
Quando conseguimos perceber toda a sequência antes de começar, sentimos que resolvemos realmente um puzzle.
Mas também podemos descobrir a solução por tentativa e erro.
E as duas formas de jogar funcionam.
A dificuldade vai aumentando
No início, Shoe it All! é bastante acessível.
Os primeiros níveis servem praticamente como uma introdução à mecânica.
Mas à medida que avançamos, os puzzles começam a exigir muito mais precisão.
Já não basta simplesmente lançar o sapato.
Temos de pensar no ângulo, na velocidade, no momento do lançamento e na forma como os objectos vão reagir.
É aí que a experiência começa a ficar realmente interessante.
Nem sempre a solução é óbvia
E isto pode ser tanto uma qualidade como uma pequena frustração.
Há puzzles em que percebemos imediatamente aquilo que temos de fazer.
Noutros, podemos ficar algum tempo a olhar para o cenário a tentar perceber qual é a ideia.
O jogo incentiva bastante a experimentação, mas nem sempre deixa claro qual é o objectivo imediato.
Por vezes, precisamos simplesmente de experimentar diferentes lançamentos até perceber como os elementos do cenário funcionam.
Para quem gosta de puzzles, isto pode ser bastante divertido.
Para quem prefere instruções mais directas, pode causar alguma frustração.
O mundo parece uma banda desenhada
Visualmente, Shoe it All! tem uma identidade muito própria.
O jogo apresenta um mundo colorido com uma estética inspirada em banda desenhada.
As personagens e os cenários têm um aspecto bastante descontraído, o que combina perfeitamente com a natureza absurda da aventura.
Não é um jogo que esteja preocupado em impressionar com gráficos realistas.
Quer é transmitir personalidade.
E isso consegue fazer bastante bem.
Lace dá personalidade ao jogo
Lace é uma protagonista bastante diferente daquilo que encontramos normalmente neste género.
É rebelde, não quer simplesmente aceitar as regras e utiliza os seus sapatos como a principal ferramenta para enfrentar tudo aquilo que aparece pelo caminho.
A narrativa brinca precisamente com essa ideia de desafiar uma sociedade demasiado preocupada com regras, autoridade e conformidade.
É uma abordagem bastante descontraída.
O jogo não tenta contar uma história extremamente profunda.
Quer sobretudo criar uma aventura divertida e irreverente.
E acho que isso funciona.
Os inimigos são... um pouco diferentes
Aqui não estamos a combater monstros ou exércitos.
Os obstáculos são vizinhos rabugentos, adultos obcecados com regras e chefes gananciosos.
Tudo é apresentado com bastante humor.
A ideia de Lace resolver os seus problemas atirando sapatos cria situações bastante absurdas.
E é precisamente esse absurdo que dá personalidade ao jogo.
Os bosses são uma boa surpresa
Shoe it All! também tem bosses.
E estes encontros ajudam a variar a fórmula dos puzzles normais.
Em vez de simplesmente resolvermos um cenário, temos de perceber como utilizar a física e os objectos disponíveis para ultrapassar estes confrontos.
Não são bosses no sentido tradicional de um jogo de acção.
Funcionam mais como puzzles maiores e mais elaborados.
E isso encaixa bastante bem na proposta.
Coleccionar autocolantes dá uma razão para voltar
Além de resolver os níveis, temos quase 200 autocolantes para encontrar e adicionar ao diário de Lace.
É uma pequena mecânica, mas funciona como incentivo para explorar melhor cada nível.
Se apenas queres chegar ao fim, podes avançar.
Mas se quiseres completar tudo, tens de procurar os segredos e explorar caminhos que provavelmente ignoraste na primeira vez.
Existem níveis secretos
Outra coisa que gostei foi a existência de níveis bónus escondidos.
Isto reforça a ideia de exploração.
Nem tudo está necessariamente à vista no caminho principal.
Às vezes vale a pena parar, olhar melhor para o cenário e experimentar um pouco.
E para um jogo baseado em puzzles, este tipo de descoberta combina muito bem com a experiência.
Speedrun muda completamente a forma de jogar
Se resolver puzzles com calma não é suficiente para ti, existe o modo Speedrun.
Aqui, o objectivo passa a ser conseguir o melhor tempo possível.
E isso muda bastante a abordagem.
Em vez de procurar simplesmente uma solução, começamos a pensar na solução mais rápida.
É aqui que os diferentes caminhos e possibilidades de cada nível ganham ainda mais importância.
Uma solução pode funcionar perfeitamente, mas outra pode permitir poupar alguns segundos.
A banda sonora punk encaixa perfeitamente
A banda sonora é outro elemento que combina muito bem com o jogo.
A música punk dá energia aos níveis e encaixa na personalidade rebelde de Lace.
Em vez de termos uma banda sonora demasiado séria, temos músicas que acompanham o espírito caótico da aventura.
É um daqueles casos em que a música ajuda bastante a definir a identidade do jogo.
A campanha podia ser maior
E aqui chegamos a um dos principais problemas.
Apesar de existirem mais de 65 puzzles, a experiência principal pode ser relativamente curta se o objectivo for simplesmente terminar os níveis.
Existem muitos incentivos para voltar: autocolantes, segredos, níveis bónus e Speedrun.
Mas quem procura uma aventura longa pode sentir que queria mais conteúdo.
Esta é uma situação em que a rejogabilidade acaba por ser bastante importante.
A repetição também pode aparecer
A mecânica é muito boa.
Mas continua a ser uma mecânica bastante específica.
Passamos grande parte do jogo a balançar, apontar e lançar sapatos.
Os puzzles vão ficando mais complexos e os cenários introduzem novas situações, mas a base permanece sempre a mesma.
Para mim, isso funciona porque o sistema de física é suficientemente divertido.
Mas consigo perceber que alguns jogadores possam sentir alguma repetição depois de várias horas.
Um jogo que sabe exactamente o que quer ser
E talvez esta seja a melhor coisa que posso dizer sobre Shoe it All!.
O jogo sabe exactamente o que quer ser.
Não tenta transformar uma ideia simples num enorme RPG.
Não tem dezenas de sistemas diferentes.
Não precisa disso.
Tem um baloiço.
Tem sapatos.
Tem puzzles.
E deixa-nos experimentar.
É uma experiência muito mais focada na criatividade e na diversão do que em complicar as coisas.
✅ Pontos Positivos
- Mecânica do baloiço original e divertida
- Física cria momentos muito satisfatórios
- Mais de 65 puzzles feitos à mão
- Diferentes soluções para os níveis
- Reacções em cadeia muito bem conseguidas
- Excelente incentivo à experimentação
- Quase 200 autocolantes coleccionáveis
- Níveis bónus e segredos escondidos
- Modo Speedrun
- Visual inspirado em banda desenhada
- Banda sonora punk energética
- Boa personalidade da protagonista Lace
- Bosses que ajudam a variar a experiência
❌ Pontos Negativos
- A campanha principal pode parecer curta
- A mecânica base pode tornar-se repetitiva
- Alguns puzzles não deixam imediatamente claro o que fazer
- A precisão dos lançamentos pode causar alguma frustração
- Quem não procura coleccionáveis pode ter menos motivos para repetir níveis
- A história é bastante simples
- Falta de legendas em português
🎯 Conclusão
Shoe it All! é daqueles jogos que conseguem pegar numa ideia completamente absurda e transformá-la numa experiência genuinamente divertida.
Atirar sapatos a partir de um baloiço parece uma coisa que não devia funcionar.
Mas funciona.
E funciona porque o jogo percebe que a melhor parte desta mecânica está na física e na liberdade que temos para experimentar.
Os puzzles não nos obrigam necessariamente a encontrar uma única solução.
Podemos procurar atalhos, tentar lançamentos mais complicados, provocar reacções em cadeia ou simplesmente encontrar uma maneira completamente diferente de chegar ao objectivo.
E quando conseguimos fazer aquele lançamento perfeito, a sensação é muito boa.
A apresentação também ajuda bastante.
O visual inspirado em banda desenhada, a personalidade de Lace e a banda sonora punk dão ao jogo uma identidade muito própria.
Além disso, os quase 200 autocolantes, os níveis secretos e o modo Speedrun dão razões para voltar aos níveis depois de os terminar.
O principal problema está na duração e na repetição.
Se apenas quiseres completar os níveis principais, podes sentir que a aventura termina demasiado depressa.
E apesar de os puzzles ficarem progressivamente mais complexos, continuamos sempre a utilizar a mesma ideia base.
Ainda assim, acho que Shoe it All! sabe exactamente aquilo que quer oferecer.
É simples, divertido, criativo e, acima de tudo, diferente.
Não é um jogo que vá tentar ocupar dezenas de horas da tua vida.
É uma experiência para pegar, jogar, rir com algumas das situações absurdas e tentar perceber até onde consegues levar aquele lançamento perfeito.
E, sinceramente, às vezes é exactamente disso que precisamos.
E o que achaste do game?
Já jogaste Shoe it All!?
O que achas da ideia de resolver puzzles... atirando sapatos a partir de um baloiço? 👟
Deixa a tua opinião nos comentários e diz-me também se conseguiste descobrir todos os segredos!
🎮 Minha gameplay
Vê a minha gameplay de Shoe it All! no YouTube:
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